quarta-feira, 12 de novembro de 2008
O ESPETÁCULO DOS BLOGS CORPORATIVOS - CASE IBM
A IBM do Brasil implantou seu blog em meados de 2004, momento em que a maioria dos blogueiros eram adolescentes em alta, com seus diários no ambiente web. Inovadora, como destaca em seus valores, implantou uma plataforma que permitia a seus colaboradores criar internamente seus próprios blogs, que falam de negócios, projetos, serviços e até de coisas pessoais. Ao contrário do que a maioria das empresas vem fazendo com seus blogs corporativos marketeiros ou de assessoria, promovendo autodivulgação, comercial ou assessoria de imprensa, com o recado de seus CEOs. Como diz Taurion, "a regra é não ter regra[...] a partir do momento em que o colaborador é selecionado, passa pelos testes e é aprovado na IBM, ele assina um termo de responsabilidade e tem "carta branca" para interagir com todos os demais... é uma realidade do mundo. Hoje quando te perguntam quais as duas maiores cidades do Brasil, você diz: São Paulo e Orkut".
É claro que a "carta branca" tem políticas definidas, não são todos os colaboradores que têm o direito de usar a plataforma IBM externa para seus blogs, o que é extremamente sensato, uma vez que estão em nome da empresa no mundo on-line, mas os que têm, podem usá-las sem censura ou monitoria. Perguntado sobre se já aconteceu algum "problema" com essa "liberdade", Taurion explica que a melhor solução é "encarar o fato" caso algo saia errado, sem tentar maquiar o problema e ainda comentou um caso que aconteceu de um colaborador que estava sendo demitido e acabou postando "cobras e lagartos" sobre sua situação e a empresa.
O ambiente de intranet da IBM é clássico e típico das pessoas do ramo de tecnologia: sem atrativos de ícones ou fotos, textos miúdos, muita informação junta... foi engraçado vê-lo entrar e ir direto para a pesquisa, digitando seu blog para localizá-lo, o que comprova o que o digo.
A IBM tem um diferencial interessante, ao contrário do que faz a maioria das empresas, criou seu msn, seu próprio "orkut" e incentiva seus colaboradores a ingressarem nesse ambiente, inclusive nos mundos virtuais atuais e externos, como linkeding, orkut, twitter etc. É tão enraizada essa cultura, que assisti a uma apresentação onde Taurion comprova que a maioria das grandes idéias surgem dos próprios colaboradores, que discutem projetos nas comunidades e blogs da plataforma IBM. É possível ainda, dentro do sistema de busca de sua intranet, digitar uma palavra e você ter listada a rede de relacionamentos (colaboradores) que, de alguma forma, tem impacto ou interesse no assunto digitado.
O raciocínio de "rede de contatos" é perfeito dentro da IBM, você digita uma palavra e aparece uma "teia de aranha" com as fotinhos de todos os que teclaram sobre o assunto e, ainda, você tem a possibilidade de ver quem são as pessoas que estão conectadas à rede dos demais.
E o que é tem!?! Tem que a IBM sabe o que é comunicação, explora um de seus valores em suas atividades, inclusive dentro de casa, ressalta e valoriza sua "gente" a partir do momento que ela permite que eles ajudem a construir seus resultados e ainda criam relacionamento. Tudo isso sem um layout bonito ou ações mirabolantes de comunicação.
APITO PARA O FUTURO
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
CURIOSIDADES DA COMUNICAÇÃO INTERNA OU CORPORATIVA: SECRETÁRIAS.
Um deles é o "fator secretária". É muito interessante examinar como as secretárias nunca recebem e-mails, nunca sabem de campanhas internas, por mais que estas estejam estampadas em cartazes, banners, intranet etc.
O mais engraçado desse fato curioso, é que a reclamação chega sempre pelo gestor de cargo mais alto da empresa, em geral o presidente ou um diretor executivo, que questionou a secretária sobre algumas informações e esta nunca sabe dizer o que é. Bom, aí chega a demanda para a área de comunicação: "precisamos rever a metodologia, os canais internos etc. porque a mensagem não está chegando", ou seja, a comunicação é ineficiente.
Aí, como é dever da área, entram as metodologias de apuração:
- Verificar com TI o por quê a secretária não está na lista de endereçados do "todos ou All-list", como se denomina no e-mail;
- Verificar se a linguagem da comunicação está adequada;
- Verificar se a informação está de fato inserida nos canais de comunicação interna do seu círculo de passagem pela empresa, entre outras medições.
E o que é tem!?! Tem que o mais intrigante de tudo é chegar ao diagnóstico de que as secretárias selecionam informações, que elas destacam como prioritárias para absorverem e passarem para sua gestão. E as ações de comunicação interna são sempre os e-mails deletados, os cartazes apenas vistos, mas não lidos. Mais interessante ainda, é notar que a "prioridade" dada pela secretárias aos assuntos corporativos é exatamente aqueles que são definidos pela própria gestão.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
FALANDO DE CAMPANHA DE COMUNICAÇÃO E SUA PEÇAS
Em geral, o apelo mais usado é uma campanha, que consiste nos passos a seguir:
- Pensa-se em uma ação ou produto;
- Contrata-se uma agência de publicidade e propaganda, isso quando a empresa não tem uma house (uma mini equipe de publicidade locada dentro da própria empresa, com redação, criação, planejamento e produção; o que diminui e muito o custo com publicidade);
- Na reunião com a agência diz-se exatamente o que se pretende com o produto. Exemplo: quero vender o produto Y para a classe A e B, na região X, preciso vender XX%.
- A agência sai de lá com o briefing, que é essa reunião que diz tudo sobre o produto e o que se pretende com ele, e cria uma campanha publicitária;
- A campanha consiste numa idéia-chave, que é o tema da campanha, ou seja, o apelo emocional com o qual a agência acredita que vai "fisgar" o consumidor. Traça-se quais serão as peças utilizadas para abordar esse tema, um cronograma de ações dessas peças, as vezes o plano prevê algumas atividades como: exposição, degustação, brindes, teatralização etc.
- O passo seguinte é a apresentação desse plano de comunicação para a empresa que, com certeza, faz alterações... e chegando a um denominador comum, lança a campanha.
Parece simples, não? E o que é que tem!?! Bom, o problema é quando o "cliente" não tem a menor noção do que é uma peça de comunicação.
O universo publicitário é infinito. É bem verdade, que não existe um limite para a criação. Porém, algumas diretrizes já foram traçadas e, como toda diretriz, já determinaram as regras de funcionalidade de algumas dessa peças e ações.
Sabemos que existem:
- Teaser - ações sem formato definido, que instigam a curiosidade do consumidor para o assunto. São mensagens que não dizem absolutamente nada, mas que instigam o pensamento do curioso sobre um tema. Podem aparecer num e-mail mkt; num cartão postal; num postit; num brinde; num adesivo colado em um elevador, numa mensagem anexada a sua comanda de restaurante etc.
- Cartazes ou cartazetes - são informações ordenadas em um layout, afixadas em algum lugar, que pode ser um mural, uma parede etc. Normalmente seu formato é um A3 (duas folhas comuns de sulfite juntas) ou pode ser A4 (uma única folha de sulfite), ou pode ser maior. Na publicidade os cartazes não contêm muito texto. Mas essa realidade muda na comunicação interna, pois precisamos passar toda a informação necessária.
- Banner - Em geral são grandes lonas que servem para sinalizar ou decorar um espaço sobre um determinado tema. Podem ou não conter muita informação, normalmente não contém.
- E-mail MKT - recentes, são como mini cartazes ou postais enviados para o consumidor pela web. É um recurso invasivo, muitas vezes considerado como spam, muito utilizado. O problema desse recurso é a falta de tempo do consumidor e o grande problema com hackers, o que faz com que sejam deletados sem serem lidos .
- Wallpaper ou fundo de tela de computador - um recurso muito limitado, pois temos a irradiação da tela do minitor e os olhos do consumidor como inimigos. Precisam obedecer ao padrão dos provedores de softwares que é, utilização de 1/3 da tela à direita, uma vez que os ínocnes são todos colocados à esquerda do desktop. Precisam ser mensagem subliminares ou apenas figurativas, pois existem diferenças de formatos de telas de computador para computador e a resolusão atrapalha a leitura.
- Brindes - são objetos relacionados ao tema da campanha entregues de presente ao consumidor. O maior erro de um brinde, é a falta de funcionalidade do mesmo, pois acaba se tornando um objeto sem importância com um logo, o que atrela sua marca a algo sem importância.
Não sei se esqueci alguma peça, mas as triviais são essas, seria muito importante que todos soubessem suas funcionalidades, uma vez que não se planeja algo atoa... não se coloca um banner, que tem um custo 200 vezes maior que um cartaz, porque se quer aparecer mais. Nem se coloca um release num fundo de tela, porque as pessoas precisam saber tudo, quando na verdade a peça não consegue passar a missão. Cada peça tem uma funcionalidade , foi concebida para uma função. E o que é que tem!?! Tem que seria menos custoso para as empresas se estas tivessem profissionais que, pelo menos, soubessem o BABA da comunicação, antes de solicitar uma campanha.
sábado, 18 de outubro de 2008
COMUNICAÇÃO INTERNA OU CORPORATIVA OU ASSESSORIA
Engraçado, pois não havia parado para enxergar que na comunicação interna o fato acaba se repetindo. Tive a oportunidade de vivenciar a comunicação interna em dois segmentos: Imprensa e Recursos Humanos.
Mas também tive a oportunidade de fazer muitos benchmarking em outras empresas nas quais a comunicação interna estava atrelada ao marketing, por exemplo. É engraçado como os profissionais acabam ficando bitolados num modelo e não abrem mão dele nem para fazer farmácia, por exemplo.
E o que tem!?! Vou explicar... rsss
O modelo de comunicação interna dentro de uma área de Recursos Humanos é focado nas relações humanas, em desenvolver ações e programas que sirvam de ferramenta para o indivíduo conhecer seus benefícios, seus deveres, para sentir-se orgulhoso de pertencer à empresa. É uma sequência de camapanhas motivacionais que não se acabam nunca. Além, é claro, das inúmeras campanhas e ações que servem de apoio ao treinamento.
Já o modelo de comunicação interna dentro de uma assessoria de imprensa é focado nas 5 perguntas de um release: o que, quando, onde, como e por que. É uma sequência de ações e peças que repetem, insistentemente a mesma coisa. Até um teaser de campanha tem que ter o que, quando, onde, como e por que .
Confesso. sou mais partidária do modelo adotado pelo marketing, que mede os pesos de cada ação. Cada ação tem um plano com começo, meio e fim. Vou explicar em outros post quais são as funções de uma área de comunicação interna e como adaptar as ações para cada uma delas.
O importante é saber que tudo tem uma função. Na comunicação interna nada é feito por repetição, a não ser o discurso e os símbolos. Mas temos comunicados, como qualquer empresa tem que ter, são oficiais, levam as diretrizes. Temos informações que precisam ser passadas de ações realizadas pelas mais diversas áreas da empresa, sejam projetos, campanhas e status a serem divulgados. Mas também temos campanhas, sejam elas motivacionais, culturais, educacionais ou de endomarketing.
Aqui cabe um ponto de atenção. Nos anos 90, Saul Beking lançou um livro no qual ele "batizou" a comunicação interna como endomarketing, aliás, Saul é o pai do termo endomarketing. De acordo com ele, toda e qualquer ação voltada ao público interno, seria endomarketing. Depois de 13 anos na área posso dizer que discordo.
Uma ação de endomarketing é, nada mais, nada menos, que uma ação de marketing normal, feita para o público externo, replanejada para o público interno, com o objetivo de transformar os profissionais da empresa em clientes. Ou seja, uma ação que também torne os funcionários em consumidores. Qual deles estão corretos ? Todos eles!
Comunicação interna é tudo isso e muito mais! Os assuntos mencionados acima são a rotina de uma área de comunicação. Porém, além da rotina, existe a estratégia, essa sim, não está em nenhum deles isolados, mas em todos eles integrados de forma coerente.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
UMA FORMA HUMANA DE SE APLICAR UMA MISSÃO
Sempre ouvi Mark falando de seu trabalho, mas ele sempre foi deveras modesto. O trabalho dessa instituição de dança é claro e muito bem definido, conforme sua própria missão traduz: "Contribuir para a melhoria de Qualidade de Vida de crianças, jovens, adultos e pessoas com deficiência, por intermédio da dança, promovendo saúde, bem-estar social, entretenimento, artístico e geração de renda, dentro de um ambiente que valoriza o ser humano em sua ampla diversidade de características". (http://www.bombelela.com.br/bombelela/)
E o que é que tem!?! Tem que a Bombelêla é um exemplo de missão cumprida, conforme programa exibido na Record (http://br.youtube.com/watch?v=CTwuOqD4zZ4).
MISSÃO: SUA RAZÃO DE EXISTIR
A comunicação é importante sim, mas como fator estratégico de ação e não como uma campanha, ação, ou peças publicitárias isoladas e distintas. Cabe a comunicação ajudar no discernimento das das ações a serem conduzidas.
O fator de sucesso de um planejamento estratégico bem sucedido está na coerência entre discurso e ação. Aliás, é para isso que desenhamos uma missão, o real motivo da existência da empresa. A pergunta a ser fazer é: Para que mesmo que eu existo? Respondida essa pergunta, traçamos os valores... baseado em quê, executo meu papel nessa missão? O passo seguinte é simples, aonde exatamente quero chegar daqui uns 5 ou 10 anos? Respondida essa última pergunta, você tem sua Visão.
Mas só isso não basta. Assim como não basta espalhar interna e externamente que você existe para promover Qualidade de Vida, por exemplo, quando seu serviço ou produto não promove. E não basta colocar humildade ou equidade em seus valores, quando há brigas de egos, e diferenças nítidas nas relações de sua empresa. E nem preciso dizer que se sua Visão foi traçada com base em missão e valores incoerentes, nunca chegará aonde pretende. Com certeza estará sempre apagando incêndios de crises de comunicação, denúncias etc.
E o que é tem!?! Tem que se a comunicação conseguir atuar de maneira estratégica, ajudando as áreas a conduzirem suas atividades com base na real razão de existir da empresa não precisará de campanhas mirabolantes. Apenas precisará criar uma assinatura que carimbe as ações COERENTES. O resto, é percebido naturalmente.
